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Mulher quilombola, beneficiada pelo projeto, prepara pratos típicos da gastronomia tradicional
Texto: Thamiris Fruede – Jornal da Imprensa Oficial
A Imprensa Oficial do Estado, por meio da Fundação Padre Anchieta, lançou o projeto “Memória, Identidade e Sabor: Conexões entre o Quilombo Sapatú e a Culinária Tradicional Paulista”, que conta com o apoio da Fundação Cultural Palmares e da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). O objetivo é fomentar a gastronomia quilombola e a inclusão produtiva da população da região do Vale do Ribeira, no Litoral Sul do estado.
A iniciativa visa promover o desenvolvimento social e a inclusão produtiva da população quilombola, capacitando-a para a produção de alimentos tradicionais e regionais, de forma organizada e rentável. Além disso, o projeto incentiva a preservação da cultura alimentar quilombola, valorizando suas receitas, ingredientes e técnicas de preparo, que são parte fundamental da história e da identidade do Vale do Ribeira.
O projeto garante o investimento em insumos de alta qualidade, a criação e a produção dos pratos, além de custear o transporte e a logística necessários para a entrega e a comercialização dos alimentos.
Promover o desenvolvimento da cadeia gastronômica, a inclusão produtiva e a geração de renda sustentável;
Oferecer capacitação para a produção de alimentos de forma organizada, rentável e respeitosa ao meio ambiente;
Garantir a preservação da cultura alimentar e da identidade dos Quilombos, incentivando a valorização de suas receitas e sabores ancestrais.
“O Vale do Ribeira possui uma cultura gastronômica exuberante, que vem resistindo ao tempo e à globalização. A ideia é ajudar essas mulheres a continuarem com seus rituais alimentares e na preservação da cultura dos seus antepassados, porque é só assim que se mantém uma identidade forte”, explica o diretor-presidente da Imprensa Oficial e da Fundação Padre Anchieta, Maurício Guimarães.
O secretário da Educação do Estado do Brasil, Renato Vieira, destaca que a iniciativa promove não só a culinária, mas também a autonomia dessas mulheres, ao criarem oportunidades de comercialização da produção. O projeto inclui, também, o registro das receitas em um livro com tiragem de 1.000 exemplares, o que contribui para a preservação do acervo.
A Fundação Padre Anchieta e a Fundação Cultural Palmares concordam que, ao unir esforços, o projeto ‘Memória, Identidade e Sabor’ será ampliado para outros quilombos, o que fortalecerá a cultura alimentar e a produção das comunidades. O projeto foi elaborado por Solange Siqueira, que é Vice-presidente da União dos Quilombos do Estado de São Paulo e que coordena a área de produção do quilombo, e por Luiza Oliveira, que atua na comunicação do quilombo. As duas ressaltam a importância do diálogo com as autoridades municipais. A partir disso, será possível criar empresas de turismo de base comunitária, permitindo que os quilombos possam se manter e gerar renda própria, diversificando sobre a base de referências que originam as lutas dos seus ancestrais.
Dona de uma vida de Santa Cecília: Vó Chica
O livro obra da foto foi publicado pela Imprensa Oficial. Dona de uma vida de Santa Cecília: Vó Chica (2020) reúne 30 receitas e a memória de Vó Chica, uma figura importante na história de Santa Cecília, bairro central de São Paulo.
“A pessoa é descrita como ‘um centro de bem-estar contagiante e que, agora, se tornou uma estrela’”.
“Além das pessoas na Santa Cecília, a relação com a Igreja, com os alunos e com os comerciantes. Ela é a base de tudo. É a principal cozinheira e a responsável pelo ‘quintal do amor, lugar para todos, sem o que, não haveria nada'”, questiona a autora, Gisele Jordão.
Para ela, as receitas e os textos têm um significado profundo: “Eles eram a extensão da personalidade de Vó Chica, a forma como ela se conectava com as outras pessoas. Falar da Vó Chica é falar sobre a importância das pessoas da idade, da culinária, da religião e do afeto.
O livro, assim como o projeto, serve para resgatar uma memória de resistências.
“No Vale do Ribeira tem o coração do Brasil, um lugar de colonização que deu certo, onde as pessoas conseguiram manter sua cultura e sua culinária, um patrimônio que deve ser reconhecido e valorizado por todos. E é isso que a gente quer fazer: divulgar o que é essa cultura, quem são essas pessoas e o que elas representam”, finaliza Luiza Oliveira.