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27/09/2023
A Comissão de Esporte (CEsp) debateu, nesta quarta-feira (27), os avanços e desafios na promoção do esporte entre pessoas com deficiência (PCD). Especialistas e representantes do setor apontaram que o esporte é a melhor forma de integrar essas pessoas na sociedade.
A audiência pública teve como foco as atividades do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP), organização sem fins lucrativos criada em 2023 para fortalecer e representar os clubes de esporte paralímpico. O comitê faz parte do Sistema Nacional de Esporte (Sinesp).
A presidente da comissão, senadora Leila Barros (PDT-DF), afirmou que o esporte ajuda o atleta a criar autoconfiança e determinação, o que causa impacto positivo na vida social.
— É muito mais do que competir e ganhar medalhas. É preparar mentes para lidar com a frustração, ter resiliência, empatia e se sustentar todo dia em um propósito. O esporte não se transformou apenas na minha vida, mas sim em todas ao meu entorno.
O presidente do CBCP, João Batista Carvalho e Silva, afirmou que o comitê só ingressou no Sinesp em 2023. Desde então, o número de entidades filiadas saltou de 11 para 203. Carvalho apontou que o Congresso Nacional é um dos principais responsáveis por fortalecer o setor.
— É a aprovação de leis que preveem essas condições que o Brasil tem hoje para sair de 37º lugar, na Paralimpíada de Atlanta (em 1996), para o quinto lugar em Paris, em 2024 — disse.
Carvalho destacou a lei que direciona recursos de loterias e apostas ao CBCP. Com o dinheiro, a organização custeará, nos próximos três anos, viagens de clubes e confederações paralímpicas, incluindo comissões técnicas, julgados e coordenadores de eventos. Foram R$ 5,3 milhões efetivamente utilizados, de R$ 11,8 milhões disponíveis.
Leila chamou a atenção da diferença na distribuição dos valores entre as regiões do país, especialmente na Região Norte, que recebeu apenas cerca de 1% dos recursos.
O secretário nacional de Paradesporto do Ministério do Esporte, Fábio Augusto Lima de Araújo, destacou o programa “Vencer pelo Esporte”, que busca, em um primeiro momento, incluir a atividade física em 10% dos 250 centros especializados em reabilitação de PCD do SUS. Segundo ele, os novos centros já possuem infraestrutura esportiva e são obrigados a contratar profissionais de educação física.
— Que uma pessoa saia do centro especializado em reabilitação direcionada para um clube, uma entidade paradesportiva. Vai deixar de ser paciente, vai passar a ser atleta. A missão não é formar atletas de alto rendimento; é dar acesso ao PCD à atividade física.
Araújo afirmou que o CBCP executou, em 2023, R$ 17,5 milhões.
A representante da Associação do Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetepe), Nathalia Cavalcanti de Araújo, afirmou que o esporte se manifestou na vida do atual vice-presidente da instituição, Diego Lima. O atletismo foi decisivo para afastá-lo da criminalidade e criar novas perspectivas de vida, disse Nathalia.
— O Diego chegou através de um professor nosso. Ele veio de uma família desestruturada, vivia hoje no crime, tinha todos os motivos para ir para um caminho que poderia parecer fácil. Hoje, ele é um dos campeões brasileiros na sua categoria no atletismo, tem família, tem trabalho.
Em outro exemplo de impacto do paradesporto, o diretor-executivo da Associação Petrolinense de Atletismo (APA), Natanael Pereira Ramos, afirmou que sua escola conquistou o título nacional de atletismo paralímpico em 2022, mesmo com treinos sem estrutura adequada no sertão pernambucano. Ele defendeu a “massificação” do acesso ao esporte como forma de identificar atletas de alto rendimento e gerar oportunidades para os jovens.
— Hoje são 11 escolinhas esportivas na região. Estamos, só no atletismo, com 550 crianças atendidas, fora as outras modalidades. A gente entende que é preciso gerar oportunidades. Para aqueles que têm potencialidade e que desejam ingressar em um esporte de alto rendimento, as pessoas têm feito essa migração. Estamos fazendo núcleos para as cidades no entorno de nossa cidade e com isso a gente tem alcançado grandes resultados.
A reunião atendeu ao Requerimento (REQ) 5/2023 – CEsp, da senadora Leila. Também participaram da reunião:
O presidente da Associação Esportiva e Cultural Rosário Quat Rugby, Antônio Manoel Pereira;
Representante do CBCP, Rossane Cavalcante de Freitas Estrela;
O atleta paralímpico de badminton Julio Cesar Godoy.