
Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Aqui está a transcrição completa do texto contido na imagem do artigo de notícias da Agência Brasil:
Internacional, Peru, Keiko Fujimori, Roberto Sánchez, eleições Peru
Em uma apuração acirrada pela presidência do Peru, o esquerdista Roberto Sánchez Palomino superou numericamente a direitista Keiko Fujimori com 93,9% das urnas apuradas. O resultado parcial está 50,003% para Sánchez, contra 49,997% para Keiko. Sánchez começou a apuração muito atrás e virou o jogo ao longo da noite passada e passou a liderar a disputa na manhã de hoje. Sánchez conta com 8.710.542 votos contra 8.705.615 de Keiko.
O resultado segue indefinido uma vez que Sánchez têm apenas 4,9 mil mil votos à frente de Fujimori em um universo de 27 milhões de eleitores aptos a votar. Das 87 mil urnas existentes, ainda faltam apurar cerca de 4,8 mil, segundo o Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru.
Congresso peruano aprova lei que impede reeleição.
Terremoto de magnitude 5,6 atinge costa do Peru.
O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Reginaldo Nasser, destacou à Agência Brasil que o mistério segue no ar porque as atas que mantêm a apuração de votação que ainda faltam após Fujimori já começaram a dar para o candidato Sánchez o favoritismo.
“Tratam-se de processar as atas vinculadas mais à região serrana, na região dos Andes, onde Roberto Sánchez tem uma larga vantagem em termos de votação, especialmente na nossa região da Serra Sul do país”, disse.
Para o especialista em política latino-americana, o resultado no Peru é fundamental na correlação de forças na América do Sul. Isso porque, a vitória de Keiko representaria uma aproximação mais estreita do país com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos.
“Inclusive, ela já se colocou à disposição dos EUA para fortalecer as políticas de combate aos crimes transnacionais e classificar os grupos peruanos como grupos terroristas. O Peru passa por essas disputas geopolíticas em torno dos seus recursos, pleiteados pelos EUA, ao mesmo tempo em que cada vez mais se aproxima com investimentos chineses”, avaliou Nasser.
Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, de cinco anos. O vencedor será o novo presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento peruano, tido como o poder de fato no país.
Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), condenado por violações de direitos humanos, o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no 2º turno, em 2011, 2016 e 2021.
De outro lado, está Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país.
Psicólogo de formação, Sánchez é deputado federal pelo partido Juntos pelo Peru, tendo sido ministro de Castillo. Assim que votou ontem (7) em Lima, Sánchez foi até o presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, permanecendo no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais.
Ao terminar o primeiro turno com 12% dos votos, contra 17% de Keiko, Sánchez moderou o discurso e apresentou um ajuste na sua plataforma eleitoral para incorporar propostas de legendas que passaram a lhe prestar apoio.
Nesse contexto, ele renunciou à proposta de nacionalizar empresas de setores estratégicos da economia. Ao mesmo tempo, manteve a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte para redigir nova Constituição, uma vez que a atual é herança do período fujimorista.
Por outro lado, Sánchez manteve parte do programa original, em especial a proposta de reforma trabalhista para ampliar direitos e formalizar trabalhadores hoje informais.