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Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania englobam qualquer ato que atente ou viole os direitos humanos da vítima
Deiwerson Damasceno 08/07/2026
Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Locomotiva e que entrevistou cerca de 22 mil brasileiras (21.541) em 2025, mostra que cerca de 71% das violências são testemunhadas por alguém, sejam crianças ou adultos. Outro dado chocante é que 46% das testemunhas adultas não tomaram nenhuma atitude para ajudar no momento da agressão.
Segundo o Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), o estado de Alagoas fechou primeiro semestre de 2026 com 2.143 casos de violações (qualquer fato que atente ou viole os direitos humanos de uma vítima, como maus-tratos, exploração sexual, tráfico de pessoas) contra a mulher. No comparativo com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 0,7%, haja vista que o total de casos foi de 2.128 no primeiro semestre de 2025. Na capital Maceió, o primeiro semestre deste ano registrou 884 casos, no mesmo período de 2025, foram 803 casos, crescimento de 10,08% no ano contra ano.
O que chama a atenção ainda é o número de protocolos de denúncias efetuados (Quantidade de registros que demonstra a quantidade de vezes em que os usuários buscaram a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos para registrarem uma denúncia. Um protocolo de denúncia pode conter uma ou mais denúncias). Em 2026, desse total de 2.143 casos no primeiro semestre de 2026, apenas 283 protocolos de denúncias foram registradas no estado.
Para a professora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Christine Keller, denunciar a violência é importante porque pode levar à intervenção imediata das autoridades, a fim de proteger a vítima e garantir a segurança da mulher. Além disso, a especialista explica que o ato de denunciar esses crimes, contribui na responsabilização dos agressores, promove justiça para as vítimas e ajuda a prevenir futuras ocorrências.
“Denunciar casos de violência provoca uma série de eventos positivos que podem beneficiar tanto as vítimas quanto a sociedade em geral, sobretudo porque gera uma inquietação social. Ao denunciar, as vítimas podem receber proteção imediata contra o agressor, seja por meio de medidas de proteção, como ordens de restrição, ou por meio de acesso a abrigos seguros”, ressalta.
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A especialista reforça que as denúncias ajudam a desmistificar mitos e estigmas em torno da violência doméstica e de gênero, o que fomenta uma conscientização social. “A denúncia pública pode incentivar a sociedade a abordar a violência de forma mais séria e a promover mudanças nas leis, políticas e práticas sociais para prevenir e responder efetivamente à violência. Como o mês de março é o mês da mulher, trazer esse assunto à tona tem um papel social fundamental acerca de promover iniciativas para diminuirmos, enquanto sociedade, esse problema”.
Christine destaca ainda, que denuncia têm acesso a uma variedade de recursos de apoio, incluindo assistência jurídica, abrigo, aconselhamento e serviços de saúde mental, que são fundamentais para ajudar as mulheres a se recuperarem do trauma sofrido.
Por fim, Christine dá dicas sobre como as mulheres podem pedir ajuda. Confira também os canais de denúncia:
Realizar o chamado ao 190 policial e conversar como se estivesse realizando pedido de delivery é uma forma muito útil de pedido de socorro, do comportamento sofrido pela mulher; A fim disso, outra importante provedora de defesa, através da Central de Atendimento à Mulher, pelo o número telefônico 180. As delegacias, especializadas, não são direcionadas a nenhum agente do tipo penal, permitindo um amparo de forma mais ampla; As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) realizam ações de prevenção, apuração, investigação e enquadramento legal. Nas unidades, é possível solicitar medidas de proibição de aproximação de casos de violência doméstica contra a mulher;