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Tragédia ocorreu em agosto de 2024 em Vinhedo, no interior de São Paulo
Redação ANSA 24/07/2026
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), apresentado nesta quinta-feira (23), concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, matando 62 pessoas, não deveria ter decolado nas condições em que estava.
A investigação identificou falhas envolvendo a companhia aérea, a atuação da tripulação e deficiências na fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Durante a apresentação do relatório, o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador responsável pelo caso, informou que a aeronave apresentava 10 itens com falhas antes da decolagem, entre eles um problema no sistema de limpador de para-brisa.
Segundo ele, essa irregularidade impedia o despacho da aeronave caso houvesse previsão de chuva uma hora antes ou uma hora depois da decolagem, condição que também deveria ser observada para o aeroporto de destino e o alternativo.
“O avião não poderia ter sido despachado nesse horário em virtude da falha no limpador de para-brisa”, afirmou Fróes durante a coletiva.
A investigação também revelou que a aeronave permaneceu entre oito e dez minutos em uma área de formação severa de gelo, situação que contribuiu para a perda de desempenho do avião.
O relatório aponta ainda que, na véspera do acidente, a aeronave apresentou falhas no sistema de degelo das asas em dois voos. No entanto, a tripulação responsável por essas operações não registrou as ocorrências no diário de bordo, impedindo que a equipe de manutenção identificasse e corrigisse o problema.
Segundo o Cenipa, em um voo entre Guarulhos e Ribeirão Preto, o sistema responsável por eliminar o gelo acumulado nas asas apresentou falha, mas a ocorrência não foi formalmente comunicada após o pouso.
“A tripulação deveria ter relatado essa falha no diário de bordo para que a manutenção, após o pouso, pudesse verificar o que estava acontecendo com o sistema”, destacou Fróes.
Outro ponto destacado pelo relatório é que os pilotos do voo que caiu mantiveram conversas sobre assuntos pessoais durante grande parte do trajeto e deixaram de acionar o sistema de degelo mesmo após diversos alertas emitidos pelo detector eletrônico.
O equipamento indicava condições favoráveis ao acúmulo de gelo e exigia a adoção de procedimentos previstos, como o acionamento do sistema de degelo e ajustes na velocidade da aeronave.
Segundo o Cenipa, esses protocolos não foram executados no momento adequado.
A investigação também identificou uma “cultura de normalização de desvios” dentro da operação da empresa. De acordo com o relatório, pilotos e mecânicos deixavam de registrar panes e irregularidades, criando um ambiente de informalidade que comprometia a segurança operacional.
Ao longo do inquérito, o Cenipa analisou 1.208 voos realizados pela aeronave entre agosto de 2023 e a data do acidente, buscando identificar padrões operacionais e eventuais falhas recorrentes.
Em nota, a Voepass informou que somente irá se manifestar após ter acesso à íntegra do relatório final de investigação.
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando a aeronave que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) caiu em Vinhedo, no interior paulista, provocando a morte de todos os 62 ocupantes.