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Morre João Pimpão, o homem que alimentou por décadas as madrugadas de Palmeira dos Índios

Morre João Pimpão, o homem que alimentou por décadas as madrugadas de Palmeira dos Índios

Garçom de perfil discreto e atencioso com a clientela, faleceu este sábado, 23/05/2020 e deixa um vazio na memória afetiva da cidade

VLADIMIR BARROS

23/05/2020

Nas madrugadas frias, onde o orvalho sobre a poeira das calçadas e o cheiro de mato trazidos pelo vento lembram que Palmeira dos Índios é uma cidade da caatinga alagoana com características de Agreste, a calmaria é quebrada pela rotina dos trabalhadores e dos boêmios que buscam a última refeição antes de ir para casa.

E em Palmeira dos Índios, essa fome de madrugada sempre encontrou amparo no talento e bom atendimento do Sr. João, vulgo João Pimpão. Garçom atencioso e dedicado, João era um verdadeiro patrimônio vivo do comércio noturno de Palmeira dos Índios, figura querida por todos os frequentadores.

Ele viveu por mais de 60 anos, e por mais de 30 esteve na labuta do comércio noturno. Trabalhou no Bar do Dudu, e por diversas décadas manteve a tradição de atender em um pequeno quiosque próximo à rodoviária e, mais recentemente, no Bar do Dudu, em pleno centro da cidade.

As madrugadas de Palmeira dos Índios eram a sua segunda casa, lugar onde construiu laços fortes com boêmios, motoristas, policiais, enfermeiros e trabalhadores em geral.

Mais do que um simples atendente de lanchonete, João Pimpão tornou-se uma figura muito querida por toda a população de Palmeira dos Índios. Especialmente nas décadas de 1990 e 2000, quando a cidade presenciava um grande movimento de festas e baladas à noite, seu quiosque era o ponto de encontro perfeito para o “after”.

Fosse para repor as energias após uma noite de folia, seja no São João, micaretas ou carnaval, ou simplesmente em um sábado qualquer, a parada no quiosque do Sr. João era obrigatória antes de voltar para casa.

Rei da coxinha, do tradicional pastel de carne e do famoso caldo de mocotó que revigorava qualquer um antes de dormir, João exercia sua profissão com dedicação exemplar e carinho com a clientela.

A triste notícia do seu falecimento causou comoção e tristeza entre os palmeirenses. O velório reuniu centenas de pessoas que se despediram do amigo e prestaram homenagens ao homem que tanto marcou a história da cidade.

A cada conversa de madrugada, o atendimento carinhoso e o sorriso no rosto demonstravam seu amor pelo trabalho. João Pimpão não era apenas um garçom, mas parte importante do cotidiano e da vida de quem vivia na cidade.

Sua partida deixa uma lacuna imensa no comércio noturno e no coração dos palmeirenses que sempre lembrarão das madrugadas aquecidas pelo seu atendimento atencioso.

A morte de João Pimpão nos remete a reflexão sobre a brevidade da vida e a importância das pessoas que marcam nossa trajetória. Ele nos deixou, mas sua memória continuará viva em nossos corações e suas histórias serão lembradas por muitas gerações.

Palmeira dos Índios despede-se de João Pimpão como um verdadeiro ícone da boemia e da hospitalidade, aquele que marcou uma época de ouro e deixou sua marca de dedicação no coração da cidade.

Descanse em paz, João Pimpão. As madrugadas de Palmeira dos Índios nunca mais serão as mesmas.

Vladimir Barros

Formado em Comunicação Social pela UFAL, Pós-graduado em Mídias Sociais e Marketing Digital. Atua na assessoria de comunicação pública e privada, produz conteúdos para blogs e portais de notícias. Diretor de Comunicação do Grupo Três de Maio.

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