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Em vídeo, candidato do PSDB manifesta “repúdio” contra decisão que suspendeu rádios e perfis investigados por cobertura tendenciosa e desproporcional da disputa eleitoral
O candidato ao governo de Alagoas pelo PSDB, João Henrique Caldas, usou suas redes sociais nesta segunda-feira (28) para atacar a Justiça Eleitoral pela decisão que suspendeu a programação do grupo de comunicação usado por JHC para divulgar propaganda eleitoral irregular.
Em um vídeo divulgado em seu perfil no Instagram, o candidato do PSDB insinuou que o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) teria se submetido ao adversário na disputa, Renan Filho (MDB), para acolher a denúncia de uso indevido dos veículos de comunicação.
“Fica aqui o meu repúdio a essa atitude sórdida [a suspensão], tirar uma rádio evangélica do ar, que está para fazer o bem, para evangelizar. Vamos dizer não a um basta a esse calheirismo que quer dominar o nosso estado”, disse JHC, sugerindo uma suposta influência de Renan Filho sobre a decisão do desembargador Klever Loureiro.
Na publicação, JHC usa o argumento apelativo da religiosidade para defender uma rádio evangélica incluída na decisão. A medida, no entanto, não visa especificamente nenhum veículo de comunicação, mas a grade de programação das empresas de propriedade do próprio JHC, do pai do candidato, João Caldas, e de aliados, pelo favorecimento explícito à campanha do tucano.
Por funcionarem mediante outorga concedida pelo poder público, emissoras de rádio e TV, assim como os perfis em redes sociais vinculados a ela são obrigados pela Lei 9.504/97, a Lei das Eleições, a abrir espaço igualitário a todas as candidaturas dispostas em uma disputa eleitoral.
Na decisão, o desembargador Klever Loureiro considerou o uso indevido dos meios de comunicação a partir da comprovação de que as nove rádios apontadas fizeram 2.372 inserções, todas favoráveis a JHC, entre fevereiro e setembro deste ano. No mesmo período, nenhuma inserção favorável a Renan Filho foi veiculada pelas rádios investigadas.
As rádios também cederam gratuitamente 538 “cápsulas de informe” à campanha do tucano, que correspondem a R$ 344 mil pela própria tabela comercial estabelecida pelos veículos de comunicação.
No mesmo sentido, os 13 perfis no Instagram vinculados ao grupo de comunicação usado por JHC fizeram 2.313 postagens no período investigado, nenhuma delas desfavorável ao candidato, algumas delas consideradas peças de campanha de JHC.
Os perfis também impulsionaram 25 anúncios nas redes sociais a favor do tucano, prática duplamente vedada pelo artigo 24 da Lei das Eleições, que proíbe a destinação de recursos para esse fim por pessoas jurídicas e concessionárias de serviço público, neste caso, que funcionam mediante outorga.
A decisão em caráter liminar visa impedir a continuidade dos crimes eleitorais praticados pela chapa de JHC e pelas empresas relacionadas. No mérito, a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) pede a cassação das chapas ao governo e ao Senado e a inelegibilidade de JHC, Marina Cândia, Cléia Rocha e dos dirigentes partidários envolvidos por oito anos.
Empresas pertencem a JHC
A decisão do desembargador Klever Loureiro se estende a 15 outorgas de rádio e TV, com três titulares diferentes, que estariam sob o comando de JHC em uma única rede, a “Francês FM”. Em julho de 2026, o candidato passou a exercer controle sobre 70% da empresa Alagoas Comunicação, controladora da rede “Francês FM”. Os 30% restantes pertencem ao pai de JHC, o ex-deputado João Caldas, que é proprietário único da Rádio Paraíso e instituidor da Fundação Quilombo.
A Fundação Quilombo, uma das atingidas pela suspensão, tem 13 dos seus 14 dirigentes nomeados na Prefeitura de Maceió, comandada por JHC até abril deste ano. Entre os servidores, nove foram nomeados pelo próprio JHC durante seu mandato. Outros dirigentes das empresas T82 e Agora Alagoas eram vinculados ao gabinete de JHC quando o ex-prefeito exercia mandato de deputado federal.
Algumas dessas empresas já haviam sido condenadas pela Justiça Eleitoral no pleito de 2022 por favorecimento ao candidato de JHC naquela disputa, e tiveram sua programação suspensa no 2º turno. Em 2026, a rede de notícias apócrifas do ex-prefeito já sofreu nove condenações por divulgação de conteúdos falsos.